Câmara Municipal poderá encabeçar movimento estadual para melhorar a merenda escolar
A qualidade da merenda escolar oferecida para as crianças e adolescentes da rede pública estadual foi questionada durante os trabalhos da 13.ª sessão ordinária do ano. O debate foi provocado durante a discussão de um requerimento de informação apresentado pela presidente da Casa, vereadora Edna Flor (PPS) . Ela tomou essa iniciativa porque recebeu reclamações de vários pais e mães de alunos, inclusive um abaixo-assinado pedindo providências para a melhora dos alimentos oferecidos aos alunos.
A vereadora usou a tribuna e apresentou uma entrevista feita pela TV Câmara com uma mãe de aluno que contesta os produtos enlatados usados na preparação dos alimentos oferecidos pelas escolas. A mulher, que preferiu não se identificar para proteger a integridade física e psicológica do filho adolescente, disse que os alunos rejeitam a comida por ter um gosto desagradável e por causar transtornos gástricos e intestinais em muitos deles.
"Meu filho mesmo já apresentou esse sintomas", declarou a mãe. Ela disse ainda que por ser rejeitada pelos alunos grande parte da comida é jogada no lixo e que as crianças passam fome dentro da escola porque não têm outra coisa para comer. "Elas estudam em tempo integral e deveriam receber pelos menos quatro refeições diariamente. Até a bolacha oferecida no lanche é murcha", denunciou.
O depoimento provocou a indignação dos vereadores presentes à sessão e a utilização de feijão e carne enlatados na merenda escolar foi motivo de crítica por parte da maioria dos parlamentares. A vereadora Edna Flor atentou ainda para o agravante de que os produtos são armazenados durante anos até chegar ao prato dos alunos e que essa alimentação é apontada por médicos como causadora do aumento da pressão arterial.
O vereador Joaquim Pereira de Castilho (PDT) também está preocupado com o problema e inclusive já apresentou requerimento sobre o assunto em sessão anterior, indagando a administração sobre a possibilidade do município se responsabilizar pela preparação dos alimentos, o que hoje é feito por empresa terceirizada, a Geraldo J. Coan & Cia Ltda . Para ele, as crianças merecem uma comida saudável e fresca, inclusive com frutas.
A vereadora Tieza (PSDB) disse que o município deve rejeitar a comida enlatada. "É mais fácil que o estado transfira recursos para que o município possa comprar os alimentos na própria região do que enviar caminhões de feijão entalado", disse .
A vereadora Durvalina Garcia (PT) sugeriu que o Legislativo de Araçatuba encabece um movimento no sentido de unir as Câmaras do estado para impedir que os enlatados sejam adquiridos, visto que, como foi explicado pelo vereador Professor Cláudio, a compra é feita para todas as cidades pelo Departamento de Suprimento Escolar. A proposta foi bem aceita pelos demais vereadores e poderá ser adotada, segundo a presidente Edna. Também declaram apoio ao requerimento apresentado, os vereadores Dr. Nava, Joel Paltibanda, Edval Antônio dos Santos e Rivael Papinha.
Ao usar a tribuna pela segunda vez, a vereadora Edna Flor pediu providências urgentes para o problema. "Não podemos aguardar mais nada. Vamos jogar essa comida no aterro sanitário e não na barriga das nossas crianças", exaltou-se. Devido ao fim do tempo regimental do grande expediente, parte da Câmara em que são analisados os requerimentos, a votação do documento foi adiada para a próxima sessão que será realizada na segunda-feira, 4 de maio.